Rodrigo Rodrigues: um repórter multimídia

O atual apresentador do Vitrine da TV Cultura, defende o profissional “1001 utilidades”

“Hoje a setorização não existe”. Essa afirmação é de Rodrigo Rodrigues, 33, repórter e apresentador do programa Vitrine da TV Cultura. De maneira descontraída, com estilo despojado de se vestir e comunicar, Rodrigues proferiu a palestra “Mídia falando de mídia”, no último dia 11 de novembro, segundo dia da 9ª Semana de Comunicação (SECOM) do ISCA Faculdades. Durante o encontro, ele destacou a importância de um jornalista saber fazer um pouco de tudo.
Rodrigues salientou aos alunos que hoje as oportunidades se tornam mais fáceis se você domina várias técnicas. “O Marcelo Taz fazia TV, escrevia, tinha blog, isso era considerado ‘luxo’, hoje é necessidade”, disse.
Ele contou que começou na TV “por acidente”. Certa vez, fez um teste em uma emissora no Rio de Janeiro, quando ainda era estudante de artes e músico, profissão que leva até hoje. Gostou, entrou para o curso de jornalismo, e logo se tornou apresentador de um programa da faculdade e se envolveu com o assunto. Porém, não concluiu o curso.
Está desde 2005 a frente do Vitrine, junto da modelo Sabrina Parlatore. Antes da dupla, o jornalista Marcelo Taz comandava o programa, que vai ao ar aos sábados às 19h30. “O vitrine foi criado para ser uma espécie de ‘vídeo show’, com reportagens, assuntos variados”, explicou. Por semana de sete a oito reportagens vão ao ar, e são produzidas de maneira diferente, sem formalidade, o que se tornou característica do programa. “O Vitrine é um programa de bastidores, a matéria vai para o ar como está para não perder a naturalidade, a não ser que esteja um breu ou tenha uma construção por perto”, ressaltou.
Rodrigues, que já passou pelo SBT, destacou a diferença entre a TV aberta e a TV fechada (privada), onde há mais restrições. “Na TV pública pode por no ar. Somos o único programa que faz matéria de outras emissoras”.
Quanto ao jornalismo, ele afirmou que não se vê sendo repórter de telejornal. “Não conseguiria ser aquele repórter sisudo, acho que seria ‘emburrecer’”. O profissional revelou que não pretende voltar e concluir o curso. “Nem pensar! Já vou uma vez por mês em alguma faculdade, já está ótimo”, confessou.
Banda
O apresentador tem uma banda que toca trilha de filmes, chamada “The Sound Trackers”. Rodrigues, dos 21 aos 25 anos fez TV e tocava na banda em paralelo, hoje confessa ser difícil arrumar tempo para tudo. Sua prioridade acaba sendo o trabalho.

Bate-Bola
Lilian – Qual a entrevista que mais marcou para você?
Rodrigo Rodrigues - Uma com a Marília Gabriela. É muito difícil você entrevistar alguém que entrevista todo mundo. Me senti analisado, parecia que a cada pergunta que eu fazia ela me olhava, como quem diz: “O que esse garoto tá me perguntando?”. Foi uma entrevista difícil, mas deu tudo certo. Lembro como muito carinho.

L – Você já pagou algum “mico” em uma entrevista?
RR – Já, foi com o Jô Soares. Meu celular nunca toca está sempre no vibra. E justo neste dia eu deixei ligado e tocou. Claro que iria usar isso para me sacanear, como fez, e eu fiz questão de deixar isso no ar. Um dia também eu fui entrevistar um cara que tinha morrido há 40 anos. A produção me passou mal a informação, e eu cheguei procurando o cara, era um cineasta brasileiro que tinha morrido e a entrevista era com uma pesquisadora sobre a vida dele.

L – Você perdeu algo pelo fato de não ser um jornalista formado? Já sofreu algum tipo de preconceito?
RR – Não, acho jornalista um bicho muito chato. Acho ótimo não ser só jornalista, ser músico. Uso algumas ferramentas que aprendi na faculdade, mas acho que jornalista tem que abrir a cabeça, ele se leva muito a sério geralmente.



Paixão de Cristo 2009 terá novidades
Oficinas para a escolha dos atores já tiveram início e prosseguem até fevereiro de 2009

O espetáculo teatral Paixão de Cristo do próximo ano, contará com novidades. A começar que será dirigido por uma mulher. A escolhida é a campineira Rosana Baptistella, que já havia realizado trabalho junto aos atores no ano passado. O espetáculo teve por três anos a direção de Carlos ABC, que saiu para se dedicar a projetos pessoais.
A paixão de Cristo, realizada pelo grupo de teatro Guarantã, completa 20 anos em 2009. Esta é a segunda vez que tem uma mulher na direção, a primeira foi em 1991, quando Isabel Ortega comandou um elenco de 80 atores.
De acordo com diretora de comunicação do Guarantã, Maria Heloísa Ferreira, a escolha da nova direção foi um processo natural. “O Carlos realizou um trabalho fantástico nesses três anos, e nós procuramos um profissional a altura de todos que passaram por aqui, a Rosana auxiliou na preparação dos atores o ano passado e todos gostaram muito dela”, conta.
Rosana afirma ter ficado surpresa com o convite do Guarantã. “Eles me chamaram, eu achei que fosse para uma outra oficina, e foi feito o convite, não é uma resposta que você dá em um minuto mas fomos afinando as linguagens. É o 20º espetáculo, o segundo maior a céu aberto no Brasil, uma grande responsabilidade”. Ela ainda diz que pretende inovar a mostra em alguns aspectos em 2009. “Tenho algumas expectativas, uma delas é dar um destaque maior para as personagens femininas, as mulheres ficam meio nas entrelinhas, além de aproximar o público do espetáculo com arquibancadas mais baixas, talvez até mais arquibancadas”, destaca.

Oficinas:
O curso livre para preparação dos atores para o espetáculo já está acontecendo desde o último dia 9 de novembro. Nas oficinas, que acontecem aos domingos de manhã na Estação da Paulista, serão escolhidos os atores para cada personagem. As oficinas são abertas ao público interessado, mesmo aqueles que não tenham intenção de participar do espetáculo. O curso se encerra em fevereiro de 2009.


“Cena da Paixão de Cristo 2008”
Grupo Guarantã


Abertura dos Jogos Abertos reúne cerca de dez mil pessoas
Solenidade contou com a presença do Governador do Estado José Serra

A solenidade de abertura da 72ª edição dos Jogos Abertos do Interior, sediados em Piracicaba, reuniu cerca de dez mil pessoas no Estádio Municipal Barão de Serra Negra, na última sexta-feira (14/11), entre atletas e dirigentes das 219 delegações participantes da abertura, autoridades e a população que compareceu em grande número.
Por volta das 19h30 a Banda Acrópoles, em um palco montado no gramado, animou o público nas arquibancadas, as 20h30 teve início a solenidade com a execução do Hino Nacional. Logo após, o Governador do Estado de São Paulo, José Serra, fez seu pronunciamento, em seguida falou o Secretário de estado de Esportes, Lazer e Turismo, Claury Alves da Silva, e o Prefeito Municipal Barjas Negri.
Atletas de diversas modalidades e inclusive os portadores de deficiência física, desfilaram com suas respectivas delegações, em torno do gramado do Barão. Algumas pessoas se emocionaram.
As delegações se posicionaram uma ao lado da outra no gramado, e depois se dispersaram. Foi quando teve início o espetáculo dirigido por Carlos ABC (ex-diretor da Paixão de Cristo de Piracicaba), com cerca de 350 voluntários entre crianças, jovens, adultos e idosos, contando algumas lendas de Piracicaba. O espetáculo se encerrou com grande queima de fogos.
Para o Prefeito Barjas Negri o espetáculo foi emocionante. “Foi muito bonito. Os atletas puderam verificar o carinho e a organização que Piracicaba teve para que fossem bem acolhidos, e a apresentação final se foi filmada merece ser transformada em DVD, pois se trata da história de Piracicaba e serve de divulgação aos turistas”, diz.
As competições, que tiveram início no dia 10 de novembro, se estendem até o dia 23. Todos os dias há jogos em clubes e no ginásio municipal.
Integrante da Secretaria Municipal de Esportes Lazer e Atividades Motoras, a Selam, e coordenador da cerimônia, Alexandre Franco do Nascimento afirma que o evento superou as expectativas dos organizadores. “Estamos recebendo muitos elogios, as pessoas gostaram muito do espetáculo do ABC, dos fogos. Estamos satisfeitos com o resultado”, completa.


Gullar: ‘Não quero ter razão, eu quero ser feliz’!
O poeta, afirma que ‘a vida é inventada por nós’ e que ‘o sentido desta são os outros’

Cinco décadas dedicadas somente à literatura. Essa é a vida do escritor, poeta, cronista, crítico de artes, e ensaísta maranhense José Ribamar Ferreira (78), ou simplesmente Ferreira Gullar, que hoje conta suas experiências adquiridas, dentro e fora do país, ao longo desse período, e que ajudaram a escrever a história da literatura nacional.
Na quarta-feira (22/10) Ferreira Gullar participou do projeto Viagem Literária, uma parceria entre a Secretaria de Estado da Cultura e as bibliotecas municipais de 40 cidades de todo o estado, na cidade de Piracicaba. Dezenas de pessoas estiveram presentes no encontro, no qual Gullar passou lições de vida, e falou sobre sua carreira na poesia, na literatura e no jornalismo.
Gullar foi locutor de rádio, trabalhou na redação de alguns jornais, e “até em banca de jornal”, conta. Brinca ao dizer que todo lugar que trabalhou foi demitido. Foi companheiro de Dias Gomes na TV Globo e teve seu primeiro livro publicado aos 19 anos de idade.
Devido a ditadura militar, ele que já havia sido preso e passado um longo período na clandestinidade, partiu para o exílio em 1971, morando primeiro em Moscou (Rússia), passando pelo Chile, Peru e Argentina. Somente em 1977 voltou ao Brasil. “Eu não queria sair, mas já que saí, em todos esses lugares eu aprendi muito, isso enriqueceu a minha maneira de ver as coisas, houve muita descoberta”, revela.
Segundo ele, o que mais marcou em sua carreira foi a publicação de seus livros. “A coisa mais importante para um escritor são os livros que ele escreve e o reconhecimento do público, e eu estou contente”. Durante o encontro Gullar falou sobre algumas passagens de sua vida e sobre a poesia. Para ele, não há uma receita para o sucesso de um poeta. “O poeta nasce feito, se não nasce não há jeito, assim como ladrão nasce ladrão, jogador de futebol, nasce jogador de futebol”.
Em uma de suas participações na Festa literária de Parati (Flip), no Rio de Janeiro, ele que estava junto de um palestino falando sobre exílio, disse, se referindo à guerra entre Israel e Palestina, que não devemos querer ter razão. “Usei o exemplo da briga entre casais. Os dois querer sempre ter razão, mas de que adianta? Ficam cheios de razão cada um em seu canto, mas infelizes. Não quero ter razão, quero ser feliz”, completa. Depois disso, conta Gullar, sua frase virou ‘propriedade pública’.
E sobre a arte, ele argumenta: “O homem faz arte, porque a vida não basta. É um ser inquieto, criativo, que inventa a si mesmo, e a própria vida’.

Jornalismo
O escritor participou da reforma pela qual passou o jornalismo na década de 50, quando foi implantado o “lead” (o que?, quando?, onde?, quem?, como? e por que? Perguntas utilizadas para escrever o primeiro – mais importante – parágrafo da notícia). A técnica americana foi introduzida no Brasil, primeiro, no jornal Diário Carioca. Gullar, que foi redator do Diário, integrou a equipe do Jornal do Brasil e auxiliou no abandono do chamado nariz de cera (modo prolixo de escrever uma matéria) para adotar o lead como padrão estético. “Nós éramos um grupo de jovens, levamos isso pro JB, o que renovou o jornal”, diz.

FOTO: DIVULGAÇÃO BIBLIOTECA


Gullar foi exilado em 1971 e retornou ao Brasil em 1977

Apoio: