Entrevistado: Alexandre Sarkis Neder
A Sociedade Beneficente Sírio-Libanesa de Piracicaba tem como lema “A União Faz a Força”, conforme cita o Prof. Dr. Elias Salum, em seu livro “Sua Gente E Sua História”, lançado em 2002, ano de comemoração do centenário dessa instituição. O jornalista e apresentador de televisão Alexandre Sarkis Neder é atualmente presidente da instituição. Com propósitos inovadores e arrojados, Alexandre Neder ao mesmo tempo em que preserva as memórias da SBSL, visualiza o presente e o futuro, inovando com a inclusão digital, ações sociais voltadas para a comunidade piracicabana, formulando projetos de obras de grande envergadura. O artista da televisão piracicabana é bastante conhecido do público, apresentando o Programa Neder Especial, desde 1999. O presidente Alexandre e seus diretores são depositários da credibilidade adquirida pela SBSL nesses mais de 100 anos de existência, que abriga entre seus associados muitos nomes de expressão local, nacional e até internacional. Uma responsabilidade e tanto!
Alexandre Neder você nasceu em Piracicaba?
Nasci em Piracicaba, no dia 30 de janeiro de 1969.
Qual é o nome dos seus pais?
Sou filho do Prof. Doutor Antonio Carlos Neder e da Professora Jamile Sarkis
Neder.
Quando iniciou seus estudos?
Guardo até hoje a lembrança da minha primeira escola, a Escola
Nova Recanto Infantil. Depois fui para o hoje denominado Colégio Salesiano
Dom Bosco Assunção, depois fui para o Barão do Rio Branco
e Colégio Piracicabano. Fiz o curso de jornalismo na Unimep. Sempre tive
uma relação maior com a área central da cidade. Meus estudos
foram feitos por aqui.
Como é realizar um programa na televisão?
O Programa Neder Especial teve o seu início ao surgir uma oportunidade
junto á televisão local. Sempre tive vontade de realizar um programa
de televisão. Em 1999 eu vinha de uma transição profissional,
tinha terminado a minha etapa de oito anos no jornal O Democrata. Reuni um grupo
de amigos, montamos uma pequena produtora e passamos a fazer o programa. É
interessante observar que ao iniciar o projeto, temos como parâmetros
um conceito pré-formulado. Ao colocar em execução esse
projeto, há uma mudança no critério de quem executa o programa,
há uma mudança no critério do programa. Em 1999 o Programa
Neder Especial tinha um formato, hoje ele está bastante diferente, evoluiu,
identificou-se com os anseios da cidade. O telespectador ao ligar a televisão
procura um programa que seja do seu agrado. As críticas sempre foram
muito importantes para realizarmos uma sintonia mais precisa com o público.
Qual é a linha do Programa Neder Especial?
Hoje a linha do programa tem algumas vertentes diferenciadas. No início
o programa tinha um olhar jornalístico. Eram feitas entrevistas mais
pesadas, entrevistas de fundo, que esmiuçavam o entrevistado. Ainda fazemos
entrevistas dessa natureza, mas não é uma constante de todos os
programas que apresentamos. Anteriormente eu via essa característica
como sendo obrigatória para a apresentação do programa,
uma pauta com conteúdo mais jornalístico. Alteramos esse conceito.
Hoje abrimos para a cobertura de eventos, embora a formação como
jornalista seja bem acentuada ao apresentarmos um entrevistado. Embora estejamos
falando sobre a festa que está sendo realizada, acabamos formulando perguntas
de cunho político, social ou econômico, com abrangemos assuntos
que não se restringem apenas a festa em si. Realizamos também
as entrevistas jornalísticas, feitas em estúdio ou externa. Há
muita matéria relacionada com a área de saúde, um aspecto
que considero muito importante para que seja abordado pelos meios de comunicação.
Quando é aberto um espaço para o especialista comunicar-se é
prestado um grande serviço á comunidade. Infelizmente para grande
parte da população não há uma cultura de prevenção
de doenças. Ao ver um profissional abordando certas características
de determinada doença, o portador da mesma identifica-se pelos sintomas
que são apresentados. Há a conscientização, ela
então procura um médico. Esse sacerdócio do jornalismo
deve ser mantido e levado á frente.
Quantos profissionais compõem a equipe que realiza o programa?
A equipe é composta por um número de seis pessoas permanentes:
o apresentador, o editor, a pessoa que faz a pós-produção,
cinegrafistas. Há ainda uma jornalista que é produtora, participa
das formulações de pauta. Dependendo do evento que será
realizado, do projeto editorial, existem programas que são bem diferenciados,
nesses casos há a necessidade de agregarmos mais profissionais para realizarmos
a contento a nossa tarefa. Com isso a nossa equipe de trabalho passa a ser uma
parte da nossa família. É uma outra família. Muitas emoções
são divididas pelo grupo, com isso um passa a fazer parte da história
do outro.
Fazer televisão no interior é uma tarefa arrojada?
Acredito que fazer televisão no interior é uma missão além
de arrojada também heróica. Não falo apenas por mim. As
dificuldades são muito grandes. Quando alguém de um centro maior,
como São Paulo, como por exemplo, a pessoa fica assustada com os preços
que praticamos, são valores extremamente acessíveis. Desperta
também a atenção do visitante a nossa criatividade para
driblar dificuldades técnicas. Eu considero que no interior fazemos televisão
inda de uma forma mais poética. Isso apesar de estarmos a cada dia aprimorando
o nosso trabalho com o uso de equipamentos de ponta, agregando sempre as novas
tecnologias.
Qual é o publico que você atinge hoje?
A TV Beira Rio tem uma abrangência muito grande na cidade. Primeiro pela
tradição. Pelo fato de ser a primeira TV da cidade. Outro fator
é que com o passar dos anos, consolidou-se como uma emissora de programação
bastante diversificada. Tem um jornalismo atuante. Quando é feito um
projeto de divulgação pelo anunciante são imediatamente
lembrados de alguns veículos de comunicação, considerados
básicos. A TV Beira Rio está entre esses veículos. É
uma televisão de grande penetração. Principalmente por
usar o sistema UHF de transmissão. Ela não está só
na TV a cabo. O fato de estar sendo utilizado o sistema UHF fica mais difícil
estabelecer um limite de até onde a televisão atinge. Isso é
gostoso. Já tive a experiência de visitar bairros mais afastados
do centro da cidade, e fiquei surpreso com o número de pessoas que assistem
a TV, no caso, particularmente o nosso programa. Fatos que de início
consideramos que não seriam tão importantes para determinadas
regiões da cidade, nesses contatos percebemos o quanto eles eram valorizados
pelos moradores locais. Há uma carência de informações
locais. Hoje atingimos não só a classe formadora de opinião,
mas principalmente estamos chegando a camadas mais populares. Isso não
é um aspecto só do meu programa, mas da TV Beira Rio com sua grade
de programação. Isso é conseqüência de um trabalho
fundamentado em propostas de prestação de serviços e de
uma grande variedade de programas que são apresentados.
Cada programa apresentado tem quanto tempo de duração?
Ele tem no mínimo uma hora de duração. Pode ultrapassar
cinco ou dez minutos. Já tivemos programas especiais de até duas
horas de duração.
É fundamental para a existência do programa que ele tenha
patrocínio, como é tratada essa questão?
No início, quando comecei a fazer o programa o patrocínio funcionava
de um jeito. Hoje tem outras características. Para lançar um produto
são inúmeras as dificuldades. No início é muito
difícil. Depois fica só difícil! O nosso patrocínio
tem diversos formatos, como a vinheta de trinta segundos, que é um patrocínio
mais tradicional, Fazemos o merchandise, onde destacamos um produto, uma empresa.
A reportagem comercial tem uma grande aceitação por parte do lojista,
do comerciante. Tem características informativas de cunho comercial.
Com aspectos de informação jornalística e não de
informe publicitário. É uma diferenciação que atingimos
com anos de experiência.
Nos tempos de rádio, você narrou partidas de futebol?
Fui repórter de campo da Rádio Difusora de Piracicaba. Eu cobria
sempre o adversário do XV de Novembro. O Roberto de Moraes cobria o XV.
Isso foi na época em que o XV disputava o campeonato paulista da primeira
divisão e o campeonato brasileiro da segunda divisão. A diversidade
de jogadores de outras equipes obrigava a ter um lembrete do número da
camisa do jogador e o seu nome. Isso enquanto ele está usando o uniforme.
A entrevista feita no vestiário, com o atleta sem o número correspondente,
exigia certo malabarismo, particularmente aqueles de clubes de localidades distantes,
como por exemplo, de Belém do Pará. Nessa hora o repórter
tinha que usar de muita habilidade para abordar o atleta com seu respectivo
nome. Isso tudo sendo transmitido ao vivo. Em campo, o repórter podia
ser abordado por torcedores, que da arquibancada exibiam os mais diversos tipos
de comportamentos, inclusive agressivos. Principalmente aqueles torcedores embalados
por ingestões de bebidas alcoólicas.
O ouvinte de uma transmissão pelo rádio nem sempre percebe
o que de fato está ocorrendo no estúdio. A televisão é
uma janela instantânea, onde tudo é perceptível, inclusive
as falhas?
Na televisão o apresentador tem que ser mais objetivo e ao mesmo tempo
não há espaço para mudar uma pergunta. No rádio
há mais improviso. Na TV por causa da imagem é quase inexistente
certo tio de improviso do qual o rádio se utiliza. Até certo ponto,
na transmissão pela TV é possível consertar alguma falha,
depois desse limite não há como. Isso na transmissão feita
ao vivo.
Além das celebridades locais e regionais, você já
entrevistou artistas de renome nacional?
Posso citar um caso muito curioso. Gravei uma entrevista com Cauby Peixoto no
Hotel Antonio’s, em Piracicaba. Foi uma entrevista muito interessante. Um artista
do quilate de Cauby Peixoto mostrou ser extremamente profissional, valorizando
mais ainda sua imagem. A atenção que ele dedicou ás nossas
perguntas, sem usar da sua condição de astro reconhecido para
impor qualquer tipo de restrição ao teor e á duração
da entrevista. Isso não é muito comum quando abordamos pessoas
desse nível.
Você conseguiu desvendar o grande segredo de Cauby Peixoto, a
sua idade?
Isso eu não consegui! Ele não conta para ninguém.
Além do Programa Neder Especial, uma outra atividade que você exerce
é a presidência da Sociedade Sírio-Libanesa de Piracicaba?
Hoje eu exerço a minha atividade na televisão e a administração
da Sociedade Beneficente Sírio- Libanesa. Assumimos no dia 24 de janeiro
desse ano, com nossa diretoria. Felizmente estamos conseguindo cumprir a nossa
programação. Estamos colocando novas propostas não só
para o associado, mas também á serviço da cidade. Estamos
fazendo com que a palavra que integra o nome da nossa sociedade, Beneficência,
torne-se cada vez mais presente. Todos os eventos que realizamos esse ano tiveram
um caráter social, beneficente. Além de ser uma entidade que congrega
os sírios e libaneses de Piracicaba, tem que colaborar na construção
de uma cidade mais justa e inclusiva.
Recentemente foi anunciado um projeto próprio da SBSL de inclusão
digital?
É um projeto que temos muita alegria em realizá-lo. O nosso prédio
é pequeno. Desde a gestão passada há a intenção
de adquirir-se um novo local. Esperamos nessa gestão concretizarmos a
aquisição de mais um prédio. O objetivo é realizar
atividades com um número maior de pessoas, aumentarmos o atendimento.
Nesse momento a nossa intenção é de deixar o prédio
atual extremamente ocupado, e com caráter beneficente. Conseguimos dispor
de um espaço onde construímos uma sala aparelhada com computadores,
criamos ali o Centro de Inclusão Digital e Ensino Profissionalizante.
Trabalhamos em parceria com algumas empresas da cidade e com professores de
informática. A prioridade é o atendimento para os adolescentes
da Casa do Bom Menino.
Esse centro pode ser usado pelo associado?
Um fato que chama a atenção é de termos pessoas com idades
acima de 70, 80 anos, que descobriram a internet e estão mudando as suas
vidas. Estão tendo um prazer a mais. Estão realizando a comunicação
instantânea, com voz e imagem, com seus parentes do exterior. Isso contrasta
com a realidade existente há algumas décadas, onde comunicar-se
com um parente no exterior envolvia a espera de determinada hora do dia, e um
custo bastante elevado.
