AUGUSTO CELSO QUINTANA CESAR (1941) nascido em Piracicaba - SP, admistrador de Empresas (Unimep 1970), funcionário Banespa até 1997, Apicultor à 45 anos, ministra várias palestras e seu hobby é histórias e geografia.
email.: acqc1@yahoo.com.br

DR. ALFREDO JOSÉ CARDOSO

O ilustre Piracicabano acima, filho do lavrador Felisberto José Cardoso Junior e de Antonia Leite Cardoso, nasceu em Piracicaba a 6 de julho de 18/76, formou-se em medicina no Rio de Janeiro.
Depois de formado, veio exercer a profissão na cidade onde nasceu e em 31/03/1902, casou-se com Maria Isabel Machado Cardoso. Teve 3 filhos: Genny, Oswaldo e Elza.
Se tornou aqui um conhecido médico, tratava muito bem aos seus doentes e ajudava muito aos pobres e necessitados.
Prestou serviços ao partido Republicano, a quem se filiara e em vista disso elegeu-se vereador à Câmara Municipal de Piracicaba.
Faleceu o Ilustre Médico, em 30/05/1910.
Sua sepultura até os dias de hoje, é muito visitada, fica a entrada do Cemitério da Saudade, primeira travessa a esquerda e hoje em nosso cidade existe a Rua Alfredo Guedes , no Bairro Alto e o Grupo Escolar Alfredo Cardoso, que levam o seu nome.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

BARÃO DE SERRA NEGRA

Seu nome era Francisco José da Conceição, nasceu em Piracicaba, no ano de 1824 e faleceu aos 76 anos de idade, em 02/10/1900, em Rio das Pedras. Filho do português Antonio José da Conceição e de Rita Morato da Conceição e foi casado com Gertrudes Euphrosina da Rocha. Pai de dez filhos e uma delas foi a Baronesa de Rezende, casada com o Barão de Rezende. Na sua juventude, estabeleceu-se em nossa cidade, com uma casa comercial com fazendas, armarinhos, ferragens e outros artigos, mas depois dedicou-se a agricultura e com seu tino administrativo agrícola progrediu e aos poucos foi adquirindo terras, até se tornar um grande fazendeiro e um dos homens mais ricos no Estado de São Paulo. Foi filiado ao antigo Partido Conservador e assim também dedicou-se a política e por fim foi agraciado pelo Imperador brasileiro com o título de Barão de Serra Negra. Antes desse título, já ocupava o título de Coronel da guarda nacional.
Fez uma generosa doação na construção da Santa Casa de Misericórdia e ao hospício Barão de Rezende, inteiramente construído com seu dinheiro. Quando faleceu, seus restos mortais foram enterrados na capela de sua Fazenda Bom Jardim. Muitos anos mais tarde, ela foi vendida e os novos proprietários não concordaram com a permanência de seu tumulo na capela. Então ele foi exumado e transferido para o cemitério da saudade de Piracicaba.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

LUIZ VICENTE DE SOUZA QUEIROZ

Mais conhecido como Luiz de Queiroz, nasceu em 12/06/1849 e faleceu em 11.06.1898, republicano e abolicionista, filho do Barão de Limeira, casado com Ermelinda Ottoni de Souza Queiroz. Foi o maior proprietário de terras na Província de São Pulo Ficou muito conhecido em Piracicaba, pois doou a sua Fazenda denominada São João da Montanha ao governo de São Paulo, em 1892, com a condição de se construir a Escola Agrícola, num prazo de 10 anos. Ele não teve a oportunidade de vê-la funcionar, pois morreu em 1898, antes de ver realizado o seu grande ideal. Ela começou a funcionar em 1901 e hoje leva o seu nome: Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, a melhor da América Latina. Construiu também a Fábrica de Tecidos Santa Francisca, ao lado do Salto de Piracicaba, que funcionou até bem pouco tempo, como Fábrica de Tecidos Boyes. Construiu sua bela residência, ao lado do Salto e da Fábrica de Tecidos, (palacete Boyes), que ocupava um quarteirão quadrado. Foi o construtor da primeira empresa elétrica ao lado do Salto, que funciona até os dias de hoje, que hoje leva o seu nome.


Foto: Luiz de Queiroz

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

O BARÃO DE REZENDE

Seu nome era Estevão Ribeiro de Souza Resende. Fidalgo, filho de fidalgo nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 19/08/1840, filho do Marques de Valença, formado na Academia de Direito de São Paulo, em 10/12/1863, casou-se com D. Ana Cândida da Conceição, filha do Barão de Serra Negra. Teve quatro filhos: Estevão e Luiz, falecidos prematuramente e Francisca e Lydia de Rezende. Fundou várias empresas comerciais, em Piracicaba, inclusive o Engenho Central, as margens do Rio Piracicaba, perto do Salto, foi provedor da Santa Casa de Misericórdia de Piracicaba, vereador e Presidente da Câmara Municipal de Piracicaba. Foi também Deputado Provincial por 5 legislaturas. Sua fazenda ficava as margens do Rio Piracicaba, onde é hoje o Bairro Nova Piracicaba, Engenho Central e o Parque do Mirante, este foi doado por ele para a Prefeitura de Piracicaba, para se fazer o mirante do Salto de Piracicaba. Da sua fazenda deu-se o inicio dôo Bairro de Vila Rezende. Outra doação que fez a Piracicaba, foi a construção do Teatro Santo Estevão, no centro da cidade, onde é hoje a Praça José Bonifácio e que se estendia entre as Ruas São José até a Prudente de Moraes e até a Santo Antonio. Isso foi em 1870. Mas em 1952, lamentavelmente ele foi demolido para ampliar a Praça José Bonifácio. O Barão de Rezende faleceu em 11/08/1909, aos 69 anos de idade, em sua chácara, denominada São Pedro.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

PHARMACIA POPULAR

Esta foto de 1912, mostra o prédio localizado no cruzamento das Ruas Prudente de Moraes, com a Rua Alferes José Caetano, no centro da Cidade, pode-se notar que as ruas ainda eram de terra . foi construído em 1883, onde funcionou por muitas décadas, a Farmácia (Pharmacia) Popular, que aí funcionou até o início dos anos 50. Por alguns anos montaram uma loja de tecidos. Acredito que o prédio foi demolido, em fins da década de 1950 ou inicio da de 60. Foi feito outro prédio e atualmente nele funciona a Escola de Informática Poli Brasil, de propriedade do Sr. Luiz André.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

AS GRANDES ENCHENTES DO RIO PIRACICABA

O Rio Piracicaba sempre teve enchentes, umas maiores e outras menores, mas as duas maiores que teve são as que ocorreram em 1929 e 1969, a primeira , a de 1929 eu não vi, pois nem nascido era. Mas meu pai falava que o rio subira muito e ele tirou uma foto noturna, lá do jardim da cadeia, vide foto anexa. A outra em 1969 esta eu vi e tirei várias fotos da época e a cheia chegou até o cruzamento das Ruas XV de Novembro com a Rua Antonio Correa Barbosa, então o primeiro quarteirão da Rua XV ficou debaixo d’água. Houve muitas outras enchentes, mas nada igual a essas duas (1929 / 1969), tanto que as casinhas da Rua do Porto só ficaram com os telhados fora d”água. Podemos ver pelas fotos que Piracicaba, naquela época, havia poucos prédios
Vide fotos abaixo:

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Eng. Agr. Dr. ÉRICO AMARAL

Natural de Capivari-SP, formou-se Engenheiro Agrônomo na ESALQ, em 1942 e ingressou como Professor na mesma Escola, onde fez brilhante carreira no setor de Apicultura. Foi ele o introdutor da Apicultura Racional em nosso País, formando um excelente Apiário, tudo muito bem planejado e administrado por ele. Eu mesmo, embora não formado na ESALQ, aprendi com ele a lidar com abelhas e também com o Dr. Warwik Stevan Kerr, dois gigantes da apicultura brasileira.
Foi nessa época, em 1957, que foi introduzida a abelha africana, na nossa cidade.
Dr. Érico é também autor de vários livros sobre Apicultura Racional e Científica

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

A VIDA NOTURNA EM PIRACICABA – DECADA DE 1950

Nesta década, a vida noturna na cidade praticamente se resumia em duas coisas:
1) IR AO CINEMA, Na década de 40 haviam dois cinemas: O Cine Broadway, o mais chique e o Cine São José, do povão, os dois na Rua São José , no centro.
Na década de 50 foram construídos mais 3 cinemas: O Cine Palácio e o Colonial, feitos pelos irmãos Cury, na Rua Benjamin e o Politeama , na Praça José Bonifácio. Haviam duas sessões nos cinemas, o das 7,30 h (1ª sessão) e o das 9,30 h ( 2ª cessão). Geralmente o cinema lotava de público, não importava o filme. Havia ainda um pequeno cinema, na Paulista
2) IR A PRAÇA JOSE BONIFÁCIO para “quadrar a praça”, as moças quadravam
de um lado e os rapazes do lado oposto e aí trocavam olhares , os namoros e por fim, os casamentos.
Em frente ao Cine Politeama, na rua, quadravam as moças mais “maduras”
No quarteirão das Ruas Morais Barros, Gov. P. Toledo e São José, quadravam
Os Negros.
Fora isso quase mais nada havia a fazer naquela época. Haviam dois restaurantes fixos da cidade: A Brasserie, no centro e o Restaurante do Mirante e só. As vezes inauguravam-se outros, mas depois de uns 6 meses, fechavam

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

PRAÇA JOSE BONIFACIO ENTRE 1950 E 2000

No ano de 1950,. a Praça José Bonifácio, ocupava apenas um quarteirão quadrado, ela começava na Rua Moraes Barros e terminava na Rua São José, portanto esta rua era contínua, diferente de hoje.
Em 1951, o Prefeito eleito, Samuel de Castro Neves, resolveu ampliar a Praça José Bonifácio até a Rua Prudente de Morais e começou a cumprir seus planos, derrubando o Teatro Santo Estevão, que fora construído pelo Barão de Rezende. No meu ponto de vista uma barbaridade.
A Rua Santo Antonio , que chegava até a Rua São José foi suprimida, agora ia só até a Rua Prudente de Morais.
Os prédios que haviam do lado esquerdo da Santo Antonio, entre a Prudente e São José foram todos desapropriados pela Prefeitura e derrubados, (vide mapa do centro da cidade de 1950).
Mas creio que Samuel Neves não teve tempo de terminar a ampliação da nova praça, pois seu sucessor é que concluiu a praça, em 1956, Luciano Guidotti.
No governo de João Hermann Neto, ele reformou a praça tornando-a um
Calçadão, mas o atual Prefeito, Barjas Negri a abriu novamente ao trânsito de veículos.
A seguir, mapa da praça, em 1950, quando a praça ocupava apenas um quarteirão quadrado e depois no ano de 2000, ampliada.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

FUTEBOL – 1961

Em 10/12/1961 o Santos F;C;, do Rei Pelé veio jogar uma das últimas partidas do campeonato paulista daquele ano, no Estádio Roberto Gomes Pedrosa, na Rua Regente Feijó, chamado de panela de pressão: era muito pequeno.
O XV de Piracicaba tinha um bom time, mas o do Santos na época era sem dúvida o melhor do mundo de todos os tempos.
Começou o jogo. Aos 5 min, Pele estava no meio de campo, do lado direito, recebeu uma boa e disparou a toda em direção a ponta direita, a defesa do XV foi toda para lá para cercar Pelé e ele, na corrida, e sem parar já na altura da grande área, cruzou com força em direção a ponta esquerda, onde estava o Pepe, sem marcação, que dominou a bola e emendou para o gol. Santos 1x0. Foi uma jogada ensaiada.
Pensei cá comigo, agora o Santos vai golear o XV. Mas não, o XV cresceu em campo e dominou a partida e não demorou muito, Picolé empatou para o XV 1x1. O XV continuou atacando e aos 42 min, Valdir marcou 2x1. O Santos além do gol de Pepe não fez mais nada.
Terminado o primeiro tempo, Pelé foi para o vestiário tomando uma sonora vaia da torcida. Eu acho que isso enfureceu o Rei do Futebol, pois no segundo tempo, o Santos voltou outro time, pois logo no ínício do 2º tempo, Pelé em uma arrancada driblou toda a defesa do XV e empatou 2x2
Daí para frente foi um “Deus nos acuda”, Pelé pegava a bola no meio de campo e ia driblando todo mundo e quando não fazia o gol, dava para um companheiro. O XV parecia “pregado” ao solo. Final do jogo: Santos 7 x XV de Piracicaba 2
N fim do jogo, Pelé, ao entrar no vestiário santista, foi aplaudido de pé pela torcida do XV. Foi o melhor jogo de futebol que assisti

Final : SANTOS 7 x XV DE PIRACICABA 2
1º TEMPO : Santos 1 x XV de Piracicaba 2
SANTOS: Laércio, Lima, Mauro e Dalmo: Zito e Calvet:
Dorval, Tite, Coutinho, Pelé e Pepe
GOLS DO SANTOS : Pelé (3), Coutinho (2), Pepe (1) e Tite (1)
XV DE PIRACICABA : Luiz Carlos, Orlando Maia, Dorival e Dema, Silvio e Biguá,
Fifi, Celso, Nilo, Picolé e Valdir
GOLS DO XV : Picolé (1) e Valdir (1)

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

OS TRÊS GARIMPEIROS

Era o ano de 1954, estava sendo filmado em Piracicaba, o filme intitulado “Os Três Garimpeiros”, um filme em preto e branco e que, para o meu gosto, na época, eu era um garoto de 13 anos, não gostei nada do filme.
Ele foi rodado em Piracicaba, uma parte na Chácara do Vevé, na Rua Madre Cecília, no bairro de Caiubi e cenas nas corredeiras do nosso salto. Havia mais jacarés do que água e os ocupantes do barco davam remadas para os jacarés não virarem o barco. Poucas cenas me lembro daquele filme.
Para a época não podiam fazer um filme bom, até que tentaram , mas não deu, os recursos cinematográficos da época eram poucos. Mas o filme movimentou a cidade. Os artistas ficaram hospedados no Hotel localizado na esquina das ruas D. Pedro II e Boa Morte (ao lado do Colégio Piracicabano) e entre eles estavam Alberto Ruchel, Helio Souto, Aurora Duarte, Anselmo Duarte , Luana e outros que não me lembro.
O filme foi exibido no Cine Palácio, na Rua Benjamin Constant, entre as ruas XV de Novembro e Rangel Pestana, de propriedade do Sr. Alexandre Cury

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

A TRAGEDIA DO COMURBA

Corria o ano de 1964, a Praça José Bonifácio ainda era aberta ao trânsito de veículos e nela estava sendo construído um belo Edifício em forma de um “S” esticado; era o Comurba.
Seria um dos edifícios mais bonitos da cidade. Já funcionava nele um belo cinema, o Plaza, muito confortável e a entrada chegava no meio do salão, como é o Teatro Losso Neto, era sem dúvida, um dos melhores e mais modernos cinemas do Brasil.
Esse prédio na Praça Jose Bonifácio ia da Rua São José até a Prudente de Morais, tinham 15 andares (foi projetado para l2). Ia começar a fase de acabamento do Prédio, nele trabalhavam aproximadamente 50 pedreiros.
No dia 6 de novembro de 1964, eu na época trabalhava no Banco Itaú nesta praça, eram aproximadamente 14:30 hr. quando veio a notícia de que o Comurba caiu. Eu pensei, de certo caiu algumas tábuas do prédio, mas ao olhar na praça, via uma multidão correndo em direção ao prédio, ao sair na praça, da fonte até a r Prudente, havia uma imensa nuvem de pó, não se enxergava nada. Fui até lá, e quando o pó acabou, vi a dimensão da tragédia. Metade do prédio desabou e 50 pedreiros morreram e o gerente do cinema, Vitório Moretti também
Eu não acreditava no que via. O prédio, em questão de minutos sentou ao chão. O porteiro do cinema, Moisés, eu o vi saindo dos escombros, cambaleando, escapou milagrosamente da morte
A tragédia do Comurba atrasou por quase 10 anos a construção de outros prédios na cidade. Nunca foi apurado o responsável pela tragédia.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

PIRACICABA DA DÉCADA DE 50

Vamos voltar a Piracicaba no início da década de 50, época em que nossa cidade tinha aproximadamente cinqüenta mil habitantes. As ruas eram calçadas com paralelepípedos e não existia nenhuma rua asfaltada.
As primeiras ruas asfaltadas foram no Loteamento da Cidade Jardim, houve muita curiosidade da população ver as ruas asfaltadas, eu mesmo fiquei encantado com este acontecimento. Logo depois asfaltaram a Av. Independência, da Rua Benjamin até a altura de onde era o antigo Banespa na av. Independência.
Mas voltemos as ruas calçadas; naquela época, passando a Rua Benjamin Constant em direção ao Bairro Alto, as ruas não tinham calçamento, com exceção da Rua Morais Barros, que era calçada até o cruzamento da Av. Independência. As Ruas XV de Novembro, São José e Prudente de Moraes eram calçadas até o cruzamento da Rua Alfredo Guedes e entre essas ruas também eram calçadas, o resto do Bairro Alto e Alemães as ruas eram de terra e algumas ruas nem existiam. Nesse trecho havia bastantes residências.
Tive a oportunidade de ver gado pastando onde hoje é o Teatro Municipal Losso Neto. A Av. Armando Salles não existia, era ocupado pelo córrego do Itapeva. Essas ruas citadas já haviam casas, mas o resto haviam poucas e havia mais terrenos baldios do que casas.
A Rua Sta. Cruz era calçada até o cruzamento da Saldanha Marinho, continuava em uma estrada de terra até a ESALQ, que era fora da cidade e o Jardim Europa ainda não existia. O São Dimas e a Paulicéia eram tudo na terra e bem pequenos.
Por isto vemos como Piracicaba cresceu e contando o acima é difícil de acreditar, só quem viu mesmo.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

O JEQUITIBÁ PROPRIETÁRIO DE PIRACICABA

Lembro que na minha infância, década de 50, quando íamos em direção a Tietê, logo que terminava a Av. S.Paulo, ali era tudo mata, existia uma árvore, cuja copa era bem acima das outras. Era um JEQUITIBÁ jovem de 300 anos. Meu pai dizia que ele era proprietário de seu terreno e ninguém poderia mexer com ele. Eu tive a oportunidade de conhece-lo, era lindo. Todo mundo dizia que ele era o proprietário da terra. Eu, criança que era, ficava impressionado, imaginem só, um jequitibá proprietário.
Mas no início da década de 60 ele foi barbaramente assassinado: puseram fogo em sua base e o Jequitibá tombou destruído. Quem fez isso? Até hoje não se sabe quem fez essa monstruosidade e nunca foi apurado..
Muitos anos mais tarde,eu tive a curiosidade de conferir no cartório, o documento de posse deste Jequitibá e não deu outra. Ser vegetal não pode ser proprietário de um terreno. O terreno era, na verdade, de uma pessoa física e ali diz: proprietário : Jorge Pacheco e Chaves Filho, tr: 15174, de 04/03/1954, terreno de 800 m2, 2ª CRI de Piracicaba e onde se encontra um Jequitibá.
Assim sendo o dono do terreno onde se encontrava o jequitibá, era do Jorge e não da árvore. Quem não acreditar pode ir até o 2º Cart Registro de Imóveis local e conferir.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

NHO LICA

Várias pessoas passaram pela minha infância como por exemplo um Senhor que vendia pequenas coisas na rua e gritava com aquele sotaque bem piracicabano : “aguia”, canivete e percorria todo o centro da cidade. Bruno, que vendia biscoitos e gritava: biiiiscoito, prolongando a letra i. (este já foi mais recente)
Mas dos mais antigos que me lembro é de um velhinho que percorria as ruas da Piracicaba catando pequenas pedras nas ruas que na cabeça dele eram pedras preciosas, como ouro, brilhantes, diamantes e outras mais. Seu apelido era Nho Lica.
Nho Lica pertencia a uma família tradicional de Piracicaba e segundo um seu parente, que foi professor e engenheiro agrônomo, me contou que ele sempre foi uma pessoa normal, trabalhadora, mas de repente começou a abaixar ao chão e catar pequenas pedras, abandonou tudo para ser “mineiro”, coisa que nunca foi na vida e assim foi até falecer aos 87 anos de idade.
Diziam que ele levava as suas “pedras preciosas” ao gerente do antigo Banco Comercial, na praça Jose Bonifácio, onde hoje é o Banco Itaú para serem depositadas. Ele era recebido como um grande cliente, serviam-lhe café e os funcionários o agradavam. Recebia um “papel carimbado de depósito” e ele ia embora feliz da vida. Morreu com o sonho de que era milionário.

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

TRANSPORTE URBANO DE PIRACICABA

Nos meus tempos de infância, em Piracicaba, nos fins da dec.de 40 e começo da de 50, ônibus urbanos por aqui não existiam. Então como o povo se locomovia pela cidade?
O transporte era feito por bondes elétricos, havia três linhas, cujo ponto inicial ficava nos cruzamentos das ruas Boa Morte e Rua XV de Novembro, mais precisamente atrás da Catedral.
Havia então três linhas:
1) Vila Rezende que ia até a Estação da Estrada de Ferro Sorocabana, na Vila Rezende (a mais longa):
2) ESALQ, que ia ate o prédio da administração da ESALQ, era nele que os estudantes de agronomia iam à ESLAQ: ia lotado
3) Paulista, que percorria a rua Boa Morte e terminava perto onde hoje é a garagem da Prefeitura.
Eram bondes lentos, suas laterais eram abertas e o cobrador percorria os bancos através dos estribos, eram iguais aos bondes cariocas
Mas com o passar dos anos o trafego rodoviário aumentando e a concorrência dos ônibus, os bondes tinham que andar ruas na contra-mão e muito lentos, não tinha mais jeito. Em 1969 eles foram recolhidos e extintos, mas deixou muitas saudades, principalmente para mim, que adorava andar de bonde. Abaixo, fotos dos bondes. O bonde amarelo em seu último dia com os cobradores no estribo