Carlos Roberto Favarão (Abrajof 305)
carlosfavarao@correios.com.br
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Campanha de Prevenção da AIDS é retratada em selos pelos Correios

Os Correios, por meio da emissão de oito selos (de emissão especial) e de uma cartilha educativa, criados pelo cartunista Ziraldo, focalizam os riscos de se contrair o HIV e as formas corretas de prevenção contra o vírus, em todas as fases da vida.
O lançamento das peças filatélicas aconteceu no dia 1º de dezembro, na cidade de Brasília (DF).
Foram impressos 2.400 milhões de exemplares, e cada selo custa R$ 1,10 (1º Porte Carta Comercial).
Os selos podem ser adquiridos nas agências e na loja virtual dos Correios (www.correios.com.br/correiosonline).

HISTÓRICO
No ano de 1981, jovens, anteriormente saudáveis, apresentaram sintomas de pneumonia e feridas na pele. Uma característica comum a essas pessoas chamava a atenção dos profissionais: todas eram homossexuais do sexo masculino. Assim começava a história da AIDS no mundo. Rapidamente artigos foram publicados, informando as semelhanças entre os casos ocorridos, o que levou a imprensa, de forma equivocada, a usar a expressão “câncer gay” em seus relatos. Atualmente, sabe-se que a doença não está restrita a um grupo de risco específico e que a prevenção e os cuidados devem ser preocupação de toda a população.
No Brasil, grupos de organizações da sociedade civil e profissionais de saúde estavam empenhados em redesenhar a assistência pública à comunidade, o que ficou conhecido como movimento de reforma sanitária. Assim, surgiram as “Ações Integradas em Saúde”, que viriam a ser, futuramente, o Sistema Único de Saúde - SUS.
Em 1983, foram feitos os primeiros diagnósticos de AIDS no Brasil. Quase que imediatamente, o primeiro programa oficial de controle da doença foi implantado em São Paulo. Surgiram, também, as primeiras Organizações não governamentais – ONGs dedicadas à área e, em 1986, foi criada a Coordenação Nacional de DST/AIDS.
O conhecimento disponível sobre a doença acumulou-se rapidamente. Para os pesquisadores internacionais, havia fortes evidências do caráter infeccioso da doença. O vírus começou a ser chamado de “vírus da imunodeficiência humana”. E foi pela sua sigla em inglês – HIV – que ficou conhecido no Brasil.
Em 1988, a Organização Mundial da Saúde instituiu o dia 1º de dezembro como Dia Internacional de Luta contra a AIDS. Isso foi parte de uma estratégia de mobilização, conscientização e prevenção em escala global. A data foi observada também no Brasil, tornando-se mote para o lançamento de informações e campanhas educativas.
As campanhas oficiais de prevenção contra a AIDS, iniciadas ainda em 1987, mudaram de tom ao longo de sua história. No início dos anos 90, um discurso intimidatório, que reforçava a discriminação (baseado na ideia de que a AIDS não tem cura e mata), enfrentou a resistência dos movimentos sociais organizados. Com o passar dos anos, foi aceita a ideia de que a luta contra a discriminação e o preconceito e, também, a defesa da solidariedade e dos direitos das pessoas vivendo com HIV e AIDS faziam parte da prevenção.
Foi aprovada, em 1987, a primeira medicação com eficácia, ainda que limitada, contra a doença, o AZT. Em 1996, com o surgimento dos fármacos inibidores da protease e a utilização simultânea de múltiplas drogas, alcançou-se importante vitória na luta contra a manifestação do vírus. Essas ações detiveram a evolução da doença e evitaram o progresso da deterioração do sistema imunológico.
O Brasil adotou uma política de distribuição da medicação, via SUS, conhecida como tratamento universal. Essa estratégia mostrou-se eficaz e houve redução da mortalidade e diminuição dos gastos com o tratamento.
O início do novo século assinalou o reconhecimento do programa brasileiro de controle do HIV e AIDS como exemplo internacional. Suas características mais marcantes - a integração entre prevenção e assistência, a incorporação da perspectiva de direitos civis à prevenção, a universalidade, entre outras – são reflexos dos princípios legais do próprio Sistema Único de Saúde, mas, também, da evolução dinâmica da resposta da sociedade ao desafio representado por uma epidemia.
Olhando para o caminho percorrido nos últimos vinte e oito anos e reconhecendo o impacto decisivo desse conjunto de ações em dados expressivos, como a redução da mortalidade ou a estabilização da progressão dos novos casos, os avanços foram inegáveis. E isso foi, indubitavelmente, uma conquista do povo brasileiro. (Fonte: Myllene Muller, Consultora Técnica do Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais - Ministério da Saúde).

 

Correios celebram em selo o Momento Itália-Brasil

Os Correios lançaram no dia 12 de outubro, nas cidades de Brasília (DF), Jundiaí (SP) e São Paulo (SP), um selo (de emissão especial) celebrando o “Momento Itália-Brasil”. Fazendo parte da série “Relações Diplomáticas”, a estampa deste selo traz a logomarca do Momento Itália-Brasil, criada pelo publicitário Washington Olivetto, desenvolvida somando dois ícones, um de cada país, inscritos na lista das sete Maravilhas do Mundo: o Coliseu e o Cristo Redentor. A cor verde, usada como fundo, está presente nas bandeiras dos dois países; as cores vermelho, amarelo e branco, compondo a imagem do selo, também aludem às bandeiras. Foi utilizada a técnica de computação gráfica. Foram emitidos 300 mil selos, com valor facial de R$ 2,10 e pode ser adquirido nas agências e na loja virtual dos Correios (www.correios.com.br/correiosonline). Com esta emissão, os Correios homenageiam o Momento Itália-Brasil (MIB), uma celebração às relações sociais, culturais e econômicas entre os dois países.

HISTÓRICO

A Embaixada da Itália, em Brasília, em parceria com os Institutos Italianos de Cultura do Rio de Janeiro e São Paulo, o Instituto para o Comércio Exterior e os consulados no território brasileiro, começaram a idealizar, em 2010, um projeto que, além de valorizar a influência dos imigrantes italianos na história e na sociedade brasileira, fosse um encontro entre a Itália moderna e o novo Brasil.
A proposta ganhou forma e, durante nove meses (de outubro 2011 até junho 2012) italianos e brasileiros estarão juntos em centenas de eventos em todo o país. A programação percorre diversas categorias: arquitetura e design, arte e cultura, ciência e tecnologia, cinema, empresas e economia, gastronomia, esportes, festas e feiras, moda, música, teatro, dança e italianos no Brasil.
O Momento Itália-Brasil pretende consolidar os sentimentos de simpatia e afinidade entre os dois povos, reforçar as ligações sociais, culturais, econômicas e os fluxos turísticos bilaterais entre as duas Nações. Para conseguir isso, serão organizados eventos de alto nível, porém, com ampla difusão, dando ênfase aos pontos de contato e às influências recíprocas entre Itália e Brasil.
Graças ao Momento Itália-Brasil, italianos, brasileiros e 30 milhões de descendentes se sentirão criadores, protagonistas e espectadores nesses nove meses de interação. O evento será uma grande festa destinada a celebrar aquilo que os países possuem em comum. O MIB é algo que se quer construir com os amigos brasileiros e italianos, engajados na celebração dos laços de amizade e afinidades socioculturais das duas Nações.


Escritores Rachel de Queiroz e Ivo Andric´ são homenageados em selos pelos Correios

Os Correios, por meio desta emissão conjunta de selos entre Brasil e Sérvia, da Série Relações Diplomáticas, retratam laços de amizade entre os dois países, homenageando dois escritores ilustres: Rachel de Queiroz e Ivo Andric´, cujas obras literárias levaram para o mundo as histórias de sua terra e de seu povo.
As peças filatélicas foram lançadas no dia 26 de outubro, nas cidades de Brasília/DF, Fortaleza/CE e Belgrado/Sérvia.
Com arte de Marina Kalezic´e tiragem de 300 mil exemplares, os selos retratam os dois autores homenageados. No primeiro, tem-se a imagem da autora Rachel de Queiroz. No canto inferior direito, encontram-se a representação da assinatura da autora e um diploma em referência ao Prêmio Camões, destinado a autores de língua portuguesa, recebido por Rachel em 1993. Abaixo do diploma, duas obras sobrepostas, e, ao fundo, uma estante de livros, destacando sua vida literária. O segundo selo focaliza o escritor sérvio Ivo Andric´. Na peça também estão reproduzidos a medalha e o diploma recebidos pelo autor na ocasião do Prêmio Nobel de Literatura, em 1961. Foi utilizada a técnica de computação gráfica e fotografia.
Cada selo custa R$ 2,55 e podem ser adquiridos nas agências e na loja virtual dos Correios (www.correios.com.br/correiosonline).

HISTÓRICO
Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza, em 17 de novembro de 1910, e morreu em 4 de novembro de 2003. Passou a infância em sua cidade natal, em uma fazenda do interior cearense. Muito jovem, publicou o romance O Quinze, que entusiasmou o País. Logo após, seu segundo romance, João Miguel, superou o primeiro, e Rachel se transformou num dos maiores nomes da literatura brasileira. Cronista de larga experiência em jornal, fez também obras de teatro. Seu estilo, de um realismo ao mesmo tempo didático e lírico, influiu em escritores de novas gerações no Brasil. Foi a primeira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras, em 1977, e ocupou a cadeira número 5. Quando jovem, participou de algumas movimentações políticas, sendo uma das fundadoras do Partido Comunista em seu estado. Contudo, se afastou da vida política nos anos 1940, pois passou a não concordar com os rumos do programa revolucionário e, também, porque se preocupava com uma possível restrição no que concerne à sua liberdade artística. Foi uma das pioneiras na fórmula do romance de ciclo nordestino, que buscava naquele ambiente social, cultural e geográfico os seus elementos temáticos, os tipos de problemas, os episódios que seriam transformados em matéria de ficção. O Quinze é um romance de cunho social, em que a autora aproveita observações da terrível seca de 1915, que ela acompanhou com os olhos de uma menina de apenas cinco anos.
Foi duas vezes convidada para ser ministro, a primeira pelo Presidente Jânio Quadros, e outra pelo primo Presidente da República, Humberto de Alencar Castelo Branco, mas recusou em ambas as oportunidades. “Não nasci para isso. Sou escritora, e olhe lá”. - costumava repetir para os seus amigos mais íntimos. E confessava: “Mesmo que isso me canse muito”. Ela gostava de se considerar preguiçosa, o que não correspondia à realidade. Escreveu alguns dos mais preciosos romances da literatura brasileira, além de milhares de crônicas, especialmente a famosa Última Página, na fase áurea da revista O Cruzeiro. Destaca-se, particularmente, o valor do livro Memorial de Maria Moura, escrito já aos 83 anos de idade, com a valiosa colaboração da sua querida irmã Maria Luíza. Essa obra tem um enredo cinematográfico, o que ajudou muito a fazer com que a televisão aproveitasse os seus originais para uma vitoriosa minissérie. Aliás, sempre afirmamos que a epopéia vivida pela corajosa heroína nordestina poderia muito bem ser autobiográfica. Quando recordamos a vida e a obra de Rachel de Queiroz, só um sentimento nos domina: saudade. (Fonte: Arnaldo Niskier – Academia Brasileira de Letras).

 

 

Ivo Andric´ (1892 – 1975), um dos maiores escritores sérvios, nasceu em Travnik. Completou a escola elementar em Visegrad, cidade que seria responsável por fazer florescer sua criatividade mais do que qualquer outro local, pois ele passaria seus dias admirando os finos arcos da ponte sobre o Rio Drina. Andric´ continuou sua educação na Escola de Gramática de Sarajevo, a mais antiga escola na Bósnia Herzegovina. Foi nesse momento de sua vida que começou a escrever poesia, e, em 1911, publicou seu primeiro poema, U sumark (O bosque), na revista Twilight. Foi também durante o secundário que Andric´ passou a se interessar por política e defender ativamente a causa iugoslava. Fez parte do movimento nacionalista Mlada Bosna (Jovem Bósnia) e lutou pela liberação dos povos eslavos, na época dominados pelo Império Austro-Húngaro.
Andric´ estudou história, filosofia e literatura nas universidades de Zagreb, Viena, Cracóvia e Graz. Inclusive, o autor testemunhou a queda do Império Austro-Húngaro e o surgimento do reino dos sérvios, croatas e eslovenos enquanto estudava na Universidade de Zagreb.
Ivo trabalhou como servidor público no Ministério da Religião, em Belgrado. Fez uma carreira de sucesso no Vaticano, em Bucareste, Graz, Belgrado Marselha, Paris, Genova e Berlim. Contudo, nunca deixou de lado a literatura, tendo escrito no período mais de cem contos e ensaios. Mas a maior parte de seus romances foram escritos durante a II Guerra Mundial, em Belgrado: Travnika hronika (A História Bósnia), Na Drini´cuprija (A ponte sobre o Drina) e Gospodica (Perda). Todos esses romances foram publicados após o fim da guerra.
Ivo Andric´ continuou seu trabalho frutífero em Belgrado, onde escreveu diversos contos, as novelas Proketa avlija (O Jardim Condenado) e Omespasa Latas, sendo que a última nunca foi terminada.
“Por sua força épica,” com a qual “moldou os temas e fatos da história de seu país”, Andric´ recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1961. Ele expressou sua gratidão pelo reconhecimento de sua obra em 10 de dezembro do mesmo ano, no discurso On Stories and Storytelling (Sobre estórias e a arte de contar estórias), no qual ele expõe os princípios básicos de seu estilo de escrita. Apesar de seu trabalho ter sido traduzido para diversas línguas antes mesmo do Prêmio Nobel, foi após o recebimento deste que grande parte do mundo se interessou por suas obras sobre os Bálcãs. Suas novelas e contos foram traduzidos para quase cinquenta línguas. Em 13 de março de 1975, este grande literato da Sérvia, escritor da mitificação dos poderes e sábio cronista dos Bálcãs, deixou este mundo. (Fonte: Radovan Vuckovic – Presidente do Conselho Administrativo © Fundação Ivo Andric, Belgrado, Sérvia).