Entrevista concedida pelo bispo DOM MOACYR JOSÉ VITTI, acompanhado de LUIZ JOSÉ FORTI , assessor de comunicação da Diocese de Piracicaba, ao Programa Piracicaba Histórias e Memórias, transmitido ao vivo pela Rádio Educadora de Piracicaba, 1060 khertz, no dia 05 de junho de 2004 , produzido e apresentado pelo jornalista e radialista JOÃO UMBERTO NASSIF.

           No dia 19 de maio de 2004 , o Papa João Paulo II nomeou para a Arquidiocese de Curitiba, no Paraná , Dom Moacyr José Vitti, até então Bispo Diocesano de Piracicaba. Dom Moacyr nasceu em Piracicaba em 30 de novembro de 1940, sendo seus pais João Vitti Cornélio e Sophia Vitti. Fez a profissão perpétua dos votos religiosos em 9 de dezembro de 1963 e foi ordenado sacerdote Estigmatino em 16 de dezembro de 1967. Em 18 de novembro de 1987 foi nomeado Bispo de Sita e Auxiliar de Curitiba. No dia 3 de janeiro de 1988 foi ordenado Bispo na matriz de Santo Antonio, em Americana, por Dom Pedro Antonio Marchetti Fedalto. Em 15 de maio de 2002 foi nomeado Bispo Diocesano de Piracicaba, onde tomou posse em 5 de julho de 2002.

 JOÃO UMBERTO NASSIF

DOM MOACYR JOSÉ VITTI

LUIZ JOSÉ FORTI

 JOÃO UMBERTO NASSIF- Nós temos a satisfação  muito grande de receber em nossos estúdios essa presença muito simpática , muito agradável de Dom Moacyr José Vitti e seu escudeiro Luiz José Forti, que todos nós que militamos na imprensa já conhecemos o Luiz de longa data. Inicialmente gostaria de cumprimentar Dom Moacyr  e agradecer essa graça especial de sua visita aqui aos estúdios da Rádio Educadora de Piracicaba.

DOM MOACYR JOSÉ VITTI- Muito obrigado, meu bom dia, e o meu agradecimento pela oportunidade de estar aqui e a minha saudação a todos aqueles que nos acompanham neste momento através da Rádio Educadora.

 JOÃO UMBERTO NASSIF-  O Luiz também gostaria de dar o seu bom dia.

 LUIZ JOSÉ FORTI- Bom dia João! Depois de longos anos nós nos encontramos novamente, depois de termos trabalhado juntos no jornal O DIÁRIO, e estamos aqui acompanhando Dom Moacyr, nós que temos o cargo de Assessor de Comunicação da Diocese e temos acompanhado Dom Moacyr em seus contatos com a imprensa divulgando o trabalho da nossa igreja e será um prazer estarmos aqui e nos reencontrarmos depois de tanto tempo.

JOÃO UMBERTO NASSIF- O Luiz é uma pessoa que inclusive todos nós que temos contato com a imprensa e trabalhamos na imprensa a gente sabe que é uma pessoa sempre muito preocupada com o assunto religioso, você é uma pessoa que sempre se dedicou a religião dentro do seu trabalho.

LUIZ JOSÉ FORTI- Desde quando nós trabalhávamos no jornal O DIÁRIO eu já militava na igreja, a Pastoral da Juventude, ainda sob o governo do Dom Aniger, que me nomeou coordenador diocesano da Pastoral da Juventude, depois trabalhei com Dom Eduardo no secretariado diocesano, e depois há uns cinco anos ele me chamou para trabalhar como profissional dentro da Cúria Diocesana e Dom Moacyr teve a generosidade de continuar comigo lá. Mas vamos falar de Dom Moacyr e da Diocese, eu estou apenas aqui como assessor.

 JOÃO UMBERTO NASSIF- É importante que o valor do trabalho do Luiz seja ressaltado.

Dom Moacyr, nós queremos conhecer melhor essa figura tão simpática nascida aqui em Piracicaba, e por isso estamos hoje aqui nesse bate papo.

 DOM MOACYR JOSÉ VITTI- Eu tive a graça de nascer aqui no bairro de Santana , aqui na cidade de Piracicaba, na nossa diocese, e eu me sinto muito orgulhoso de pertencer a nossa região e também por ter vindo como Bispo Diocesano, embora o prazo foi pequeno, mas que valeu a pena durante esses quase dois anos como Bispo da nossa Diocese de Piracicaba.

JOÃO UMBERTO NASSIF- Na sua família são em quantos irmãos Dom Moacyr?

DOM MOACYR JOSÉ VITTI- Nós somos oito irmãos.Quatro irmãos e quatro irmãs. E atualmente eles moram em Americana, Campinas e Santo André. Aqui na região de Piracicaba eu tenho todos os parentes por parte de pai, mãe, os tios, as tias, e também muitos e muitos primos e primas. Afinal em todos os lugares aonde eu fui durante esses anos aqui em visita as paróquias, em todas elas sempre apareceu algum parente. Ou Vitti,  Degaspari, Stênico, Forti, Cristofoletti, todas famílias de nossos tiroleses.

 JOÃO UMBERTO NASSIF- Uma outra curiosidade que a gente acaba tendo e nem sempre a gente consegue fazer esse tipo de pergunta. O Senhor é o mais velho, ou mais novo dos filhos?

 DOM MOACYR JOSÉ VITTI- Dos que estão vivos eu sou o terceiro.

 JOÃO UMBERTO NASSIF- Algum seguiu a carreira religiosa ou só o senhor?

 DOM MOACYR JOSÉ VITTI- Dos irmãos tive apenas um irmão que entrou no seminário e saiu. Agora de primos, padres e freiras o número é bastante grande.Chega perto dos sessenta (60) mais ou menos. É um verdadeiro exército.Entre mortos e vivos é mais ou menos esse número de parentes que se tornaram religiosas e religiosos.

JOÃO UMBERTO NASSIF- Como foi para o senhor deixar a família e seguir o sacerdócio?Que idade o senhor tinha?

DOM MOACYR JOSÉ VITTI- Quando eu entrei no seminário eu tinha 12 anos de idade, é claro que afetivamente não é fácil a gente deixar a família nessa idade, mas a minha família graças a Deus com muita fé aceitou com muito entusiasmo, com muita alegria, me apoiando muito na vocação, eu devo também a minha vocação devido a piedade, a fé dos meus familiares, que realmente sempre viveram intensamente essa presença de Deus. E foi então para a minha família uma alegria muito grande, principalmente quando eu me tornei sacerdote.

 JOÃO UMBERTO NASSIF- Com 12 anos o senhor foi para um seminário, em que cidade?

 DOM MOACYR JOSÉ VITTI- Eu fui a Rio Claro, aonde iniciei a caminhada de formação na Congregação dos Estigmatinos. Colégio Santa Cruz, que hoje se tornou a sede da província da Congregação do Estigmatinos.

 JOÃO UMBERTO NASSIF- Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo , é isso?

 DOM MOACYR JOSÉ VITTI- É exatamente. É porque o nome vem de uma igreja em Verona na Itália , aonde o fundador São Gaspar Bertoni começou a fundação da congregação, e essa igreja chamava-se Estigma de São Francisco, devido a um quadro muito bonito de São Francisco, que até hoje está lá. E a Congregação tomou então o nome de Congregação dos Sagrados Estigmas por que o povo começou a chamar os padres dos Estigmas, que trabalham na Igreja dos Estigmas, e passou então a Estigmatinos. Estigma é bom lembrar significa chagas, as chagas de Jesus que ele recebeu na sua cruz. Esse é o significado de Estigmatinos.

JOÃO UMBERTO NASSIF- Dos 12 anos até quando o senhor permaneceu em Rio Claro?

DOM MOACYR JOSÉ VITTI- Apenas em Rio Claro eu fiquei dois anos. Depois eu fui para Ribeirão Preto, aonde fiz todo o colegial, e lá também depois de terminar os estudos do colegial, eu fui a Casa Branca onde eu fiz um ano de noviciado, logo após o noviciado no ano de 1961, eu fui pra Campinas para iniciar então os estudos de filosofia e teologia e fui ordenado padre lá em Campinas na capela da Santíssima Trindade, no Jardim Nova Europa. Logo em seguida fui enviado pelos superiores ao Rio de Janeiro para fazer um curso especial de catequese e trabalhar também em uma paróquia do Rio chamada Santa Edwirges, em São Cristóvão, perto do Jardim Zoológico, Quinta da Boa Vista. E fui para permanecer apenas um ano e acabei ficando três anos devido a também um trabalho que iniciei com os jovem na paróquia. E depois de três anos eu voltei a morar em Campinas para assumir um trabalho de pastoral vocacional. Permaneci seis anos nesses trabalhos, procurando girar pelo Brasil todo, procurando então falar sobre vocações, tanto de vocações dos cristãos leigos, como padres, religioso, religiosa, e particularmente então trabalhando com adolescentes e jovens, durante todo esse período. Fiquei em Campinas durante esses seis anos de Pastoral Vocacional. Em 1976, que foi também um chamado difícil na minha vida, numa assembléia geral da Congregação dos Estigmatinos, que se realizou nos Estados Unidos, eu fui escolhido para ser o Vice Superior da Congregação e fui morar em Roma durante seis anos, e durante esses seis anos eu tive uma oportunidade muito grande de visitar muitos países aonde estão os padres da Congregação dos Estigmatinos, missionários, rodei esse mundo várias vezes, nessas visitas, nesses países missionários como a África, Ásia, Tailândia, Filipinas e também Estados Unidos, Canadá, Europa, América do Sul, e foi uma experiência muito rica na minha vida de ver a presença da igreja em tantos países do mundo. Foi realmente uma graça que eu recebi de Deus, de poder ter um conhecimento bastante universal da realidade da nossa igreja católica. Aproveitei também em Roma, apesar de todas as viagens, para me aprofundar também em teologia, e acabei fazendo até o Doutorado em Teologia Dogmática que também foi uma realização muito grande para a minha vida. Acho que valeu a pena.

 JOÃO UMBERTO NASSIF- A primeira vez que o senhor chegou mais próximo do Papa qual foi seu sentimento, sua reação, quando foi ?

 DOM MOACYR JOSÉ VITTI- De fato foi uma graça muito grande, porque quando esse Papa foi eleito eu morava em Roma, embora na eleição do Papa eu não estivesse em Roma, estava nos Estados Unidos. Mas depois retornando a Roma, logo em seguida eu tive a oportunidade de encontrá-lo pela primeira vez, ainda ele estava cheio de vida naquele entusiasmo, naquela forma física extraordinária, e de fato foi assim uma impressão muito forte que eu recebi do Papa pela sua disposição, aquela voz forte que ele possuía, e depois o carinho com que ele nos recebeu, os superiores da Congregação, tivemos uma audiência particular, foi uma experiência muito marcante o primeiro contato com esse Papa. Mas depois eu tive a oportunidade de ter muitos outros, porque morando em Roma a oportunidade de participar com ele de todas as celebrações do Natal, da Semana Santa, eu fazia questão de participar dessas cerimônias por que de fato são muito bonitas em Roma. Tive então a oportunidade de estar tão freqüentemente com o Papa.

JOÃO UMBERTO NASSIF- O senhor chegou a fazer uma refeição sentado ao lado direito do Papa?

DOM MOACYR JOSÉ VITTI- É verdade. Na última visita em que eu estive com ele foi na visita oficial, chamada de visita “AD LIMINA” como Bispo já de Piracicaba, em janeiro do ano passado, faz pouco tempo, além de ser recebido particularmente por ele para uma conversa pessoal sobre a nossa Diocese, depois também nós Bispos fomos convidados para almoçar com ele. Eu fui privilegiado pois quando chegamos no refeitório do Papa os nomes já estavam colocados, conforme nós devíamos tomar os lugares, eu vi o meu nome estava ao lado direito do Papa, eu acho que foi assim muito privilégio, muita Graça também nesse sentido.

JOÃO UMBERTO NASSIF- Eu vou ser um pouco desrespeitoso com o senhor, o senhor me perdoe, eu tenho a certeza de que o ouvinte deve estar morrendo de curiosidade para saber o que o senhor almoçou  nesse dia, o senhor se lembra? A gente fica imaginando como é o almoço de um Papa, o que pode ter a mesa, isso é uma informação que acredito que nunca ninguém passou.

DOM MOACYR JOSÉ VITTI- O almoço com o Papa foi muito simples. Uma refeição muito suave, havia peixe, havia arroz por que nós somos brasileiros, a famosa salada italiana, o bom vinho italiano, a famosa torta italiana. Mas o almoço foi muito simples e o mais importante foi o diálogo que nós tivemos com o Papa, porque ele fez questão de ouvir o que cada bispo faz em sua diocese, como ia sua diocese, então durante o almoço foi assim esse diálogo de todos os bispos que estavam lá presente do Estado de São Paulo procurando assim informar ao Papa  a respeito da caminhada das nossas Dioceses.

JOÃO UMBERTO NASSIF- Existe uma preocupação muito grande do Papa com a América do Sul?

DOM MOACYR JOSÉ VITTI- O Papa tem um carinho muito grande com o Brasil . É impressionante. Todas as vezes que eu tive a oportunidade de estar com ele, ele sempre manifestou assim um amor muito grande para com o povo brasileiro. Não há duvida, o Papa está bem consciente de que é o maior país católico do mundo. E por isso o Papa quer manter de fato essa fama do Brasil e fazer com que o Brasil seja realmente assim um país que demonstre essa catolicidade perante todos os outros países.

JOÃO UMBERTO NASSIF- O lema do senhor é UM SÓ CORAÇÃO. Como é viver esse lema como Bispo?

DOM MOACYR JOSÉ VITTI- Bem, eu gosto muito do meu lema de Bispo, porque ele fala muito de unidade, de comunhão entre nós, da fraternidade. O lema é tirado do livro do Ato dos Apóstolos, onde ele descreve como viviam os primeiros cristãos. E lá fala que eles se amavam de tal maneira, eles eram tão unidos, que até colocavam em comum os próprios bens materiais. A manifestação de amor entre eles era tão profunda que pareciam um só coração. Então daí é que eu tirei o meu lema e com o sonho de onde eu estiver, em qualquer diocese, procurar lutar pela unidade entre os fiéis, entre os padres, entre o povo todo da Igreja onde vou servir. Então meu sonho grande é que haja essa verdadeira unidade, essa verdadeira comunhão entre o povo da diocese onde eu trabalho.

JOÃO UMBERTO NASSIF- Dom Moacyr, nós gostaríamos de falar um pouco sobre a Diocese de Piracicaba e os 60 anos, e o senhor trouxe aqui um boletim informativo que tem quase a característica de um livreto, muito rico, muito bem feito, são 60 anos de vida e missão Dom Moacyr?

DOM MOACYR JOSÉ VITTI- De fato, este boletim está muito bem feito e conta toda a história da nossa Diocese, desde a sua criação, a sua instalação, depois os vários bispos que tivemos aqui na nossa Diocese, e inclusive com todos os detalhes da caminhada durante todos esses 60 anos. É um acontecimento muito importante para a vida da nossa igreja, em particular a diocese, a celebração de um jubileu, um ano de graça como está acontecendo e que vai ter seu auge no dia 11 próximo (11 de junho de 2004), em que haverá grande celebração no ginásio esportivo, com  a presença da imagem de Nossa Senhora Aparecida que vem lá de Aparecida, lembrando que este ano nós também comemoramos 100 anos da coroação de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil, e também teremos a presença do senhor Núncio Apostólico que é o representante do Papa no Brasil, é claro que o convite se estende a todos para que venham participar desta data marcante para a vida da nossa Diocese de Piracicaba.

JOÃO UMBERTO NASSIF- Esse Boletim Informativo é ricamente ilustrado com fotografias, fotos de procissões, são coisas que nós não vemos mais. Foi um trabalho interessante.

DOM MOACYR JOSÉ VITTI- O Luiz Forti foi muito feliz, na pesquisa que ele fez, desde o ano passado trabalhando na busca de material, na busca dessas fotos, para que esse nosso boletim tivesse um conteúdo muito importante para a história da nossa Diocese.

LUIZ JOSÉ FORTI- Eu gostaria de lembrar esses 60 anos de Diocese. O que é Diocese?

Acho importante a gente resgatar um pouco isso. A Igreja Católica no mundo todo ela é dividida em regiões que nós damos o nome de Diocese, que é uma região governada, administrada pelo Bispo. A palavra Diocese é uma palavra grega que significa casa organizada. Então tem esse sentido de organização, tendo a frente o Bispo que é um sucessor dos apóstolos. É importante esse aspecto de fé, não só de organização jurídica, administrativa, mas sobretudo esse aspecto de fé que marca a Igreja. A Diocese de Piracicaba foi criada em 1944 por um ato do Papa Pio XII, Chama-se “VIGIL CAMPINENSIS ECCLESIAE” o nome latino da bula que criou a Diocese em 26 de fevereiro de 1944. E no dia 11 de junho do mesmo ano houve então a instalação solene, quando a Diocese começou de fato a existir, e a cerimônia foi presidida pelo Núncio Apostólico da  época Dom Bento Aloisi Mazzella. E agora na celebração dos 60 anos  atendendo o convite de Dom Moacyr estará presente também o Núncio Apostólico atual que virá presidir a celebração dos 60 anos. A celebração será dia 11 de junho, sexta feira, às 20 horas no Ginásio Municipal de Esportes em Piracicaba. Antes, por volta das 18:30 hs teremos uma procissão saindo da Catedral, que vai levar a imagem de Santo Antonio, Padroeiro da Diocese, e a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida. Essas duas imagens serão levadas em procissão e recebidas festivamente no Ginásio onde haverá essa celebração presidida pelo Núncio Apostólico.

JOÃO UMBERTO NASSIF- É uma forma também do piracicabano fazer uma homenagem a Dom Moacyr comparecendo a essa cerimônia.

LUIZ JOSÉ FORTI- Terá também esse caráter de homenagem uma vez que ele está encerrando o seu ministério aqui, já que ele foi designado pelo Papa para uma nova missão lá em Curitiba.

JOÃO UMBERTO NASSIF- Eu vou pedir a Dom Moacyr um favor especial, se ele pode ler um trecho da carta que o nomeou Arcebispo de Curitiba. O texto original está em italiano.

DOM MOACYR JOSÉ VITTI- Então diz o seguinte o anúncio da minha nomeação em italiano: (DOM MOACYR PASSA A LER EM ITALIANO)

 RINUNCE E NOMINE

RINUNCIA DELL’ARCIVESCOVO METROPOLITA DI CURITIBA (BRASILE) E NOMINA DEL SUCCESSORE

Il Santo Padre há accettato la rinuncia al governo pastorale dell’arcidiocesi di Curitiba(Brasile), presentata da S.E. Mons.Pedro Antônio Marchetti Fedalto, in conformità al can.401 § 1 del Codice di Diritto Canônico.

Então toda quarta-feira é o dia em que saem os Bispos aqui do Brasil, e é interessante por que deve se manter o segredo absoluto até o meio dia em Roma e as 8 horas aqui no Brasil, mas como estamos no período de verão na Itália a diferença são de 5 horas, então as 7 horas da manhã aqui no Brasil  e as 12 horas em Roma, é que geralmente sai a notícia, e quando se trata da expectativa da nomeação de um arcebispo ou de um bispo, existem pessoas que ficam agarradas na internet para ver no site do Vaticano quem é que foi nomeado e logo em seguida é que corre a notícia, principalmente entre os padres, sobre a nomeação do bispo ou arcebispo, como aconteceu esta semana, quarta feira agora, a nomeação do arcebispo de Campinas, havia uma grande expectativa, e o arcebispo nomeado foi Dom Bruno Gamberini, que é o bispo atual de Bragança Paulista. E agora ele vai ser transferido para Campinas.

JOÃO UMBERTO NASSIF- Dom Moacyr, tendo o Brasil oito cardeais o próximo Papa pode ser  brasileiro?

DOM MOACYR JOSÉ VITTI- Possibilidade tem. Como há cardeais aqui no Brasil, como acontece também em todos os demais países, pode acontecer que também um dos nossos seja eleito. Só o Divino Espírito Santo é que sabe. Há tanta mudança num conclave, que até mesmo os cardeais ficam surpresos com a nomeação do Papa. Ninguém dizia que seria o Papa Carol Wotijila o papa que nós temos hoje. Ninguém esperava. E de fato no conclave surgiu o nome dele e acabou se tornando o Papa eleito.

JOÃO UMBERTO NASSIF- Por que devemos rezar o terço? Ele ajuda a meditar, a contemplar a vida de Cristo, qual a importância do terço?

DOM MOACYR JOSÉ VITTI- Primeiramente é uma devoção a Nossa Senhora. Nossa mãe querida. Uma devoção que surgiu para a gente manter esse contato com Nossa Senhora.

Mas esse Papa de fato ele procurou em uma preocupação muito grande fazer com que durante a recitação do terço, do rosário, procure-se meditar sobre os grandes acontecimentos sobre  a vida de Cristo. A tal ponto que o Papa criou um novo terço com os mistérios da luz, para complementar a meditação tirada do evangelho sobre a vida de Jesus Cristo nesse mundo. Então a importância do terço, além de ser essa manifestação de amor e carinho para com Nossa Senhora, é particularmente um momento importante para rever a vida de Jesus Cristo, que é o caminho, a verdade e a vida que nos conduz para o pai através da sua paixão, da sua morte, da sua vida e principalmente dos mistérios gloriosos que contam a ressurreição de Jesus, que é o fundamento da nossa fé.

JOÃO UMBERTO NASSIF- Com certeza se a pessoa passar a rezar o terço o nível de stress da humanidade diminui. A doença da moda é o stress. Se você se recolher e fizer uma meditação vai ficar menos stressado. É uma realidade?

DOM MOACYR JOSÉ VITTI- Não há dúvida que diante da realidade do mundo que estamos vivendo, da correria, da violência, dos problemas de fome, de miséria, de guerras, rezar o terço é uma parada durante o dia que traz essa paz, tranqüilidade, sobre a meditação desses grandes mistérios da vida de Cristo. E faz um bem enorme, rever a própria atitude durante a jornada que a gente leva assim de stress, esse contato com Jesus Cristo, com Maria Santíssima, traz uma paz muito profunda. Por exemplo, eu não consigo dormir se eu não rezei o terço durante o dia. São dois pontos assim na minha vida que eu não consigo ficar sem, a celebração da missa e a recitação do terço. Se eu não faço durante o dia eu não consigo ir descansar, mas eu preciso rezar antes de ir dormir.

JOÃO UMBERTO NASSIF- A família para os jovens é uma instituição muito importante. O contato mais estreito com os pais acaba desenvolvendo uma espiritualidade. Isso é uma realidade Dom Moacyr?

DOM MOACYR JOSÉ VITTI- O grande desafio dos nossos dias é a família. Nós precisamos reconstruir. Infelizmente hoje entrou uma mentalidade muito hedonista a respeito da família, da dignidade do casamento, do matrimônio, e tudo isso tem provocado no jovem uma mentalidade sem compromisso. Infelizmente muitos hoje vão para o casamento com uma superficialidade muito grande, dizendo até, se não der certo a gente separa. Já vai com essa mentalidade. Isso vai corroer a própria família, porque destrói aquele plano maravilhoso de Deus a respeito do casamento. Lembrando as palavras na Criação, que Deus criou a imagem e a semelhança o homem e a mulher, e quando se unirem terão uma só carne. Na linguagem hebraica isso tem um sentido muito profundo quer dizer que se tornam um só corpo, um só coração, uma só  alma. Jesus Cristo elevando a dignidade de matrimônio o sacramento do casamento Ele diz, jamais separe o homem aquilo que Deus uniu. Portanto é preciso ir com muita seriedade para esse passo  tão importante na vida de um casal. Eu apelo para que os jovens procurem se preparar bem, olhando para a dignidade da família, olhando para a dignidade da vida de um casal que deve viver essa plenitude de comunhão em todos os sentidos. É importante resgatar a dignidade da família, porque é da família que nós vamos também reconstruir uma nova sociedade onde haja maior amor, maior justiça, maior fraternidade. A constatação hoje é que se vivemos uma realidade de tanta violência, é porque a família está infelizmente influenciada por tantas idéias falsas. Quanto mais a família for a base da sociedade tanto mais haverá menos violência, haverá menos fome, menos miséria. É preciso reconstruir a família.

JOÃO UMBERTO NASSIF- O jovem está hoje sendo atraído pela Igreja Católica para conversão?

DOM MOACYR JOSÉ VITTI- Nós temos experiências em muitas paróquias, em muitas dioceses, de uma participação não muito grande de jovens, porém jovens que tomam a consciência da sua responsabilidade também como jovem, de seguir a Cristo, que começam a participar ativamente da vida da igreja, inclusive também da colaboração para uma sociedade melhor. As vezes os grupos são pequenos, mas são jovens sérios, que procuram levar uma vida digna, que procuram realizar um bom apostolado entre os jovens. Então a gente tem muita esperança nesses grupos de jovens que existem, e também nos movimentos que procuram atrair a juventude. Há muitos movimentos que de fato conseguem atrair os jovens para que participem, para que se libertem também dos perigos que são tantos nos nossos dias de hoje. Então nós precisamos incentivar como adultos, nas nossas paróquias, nas nossas comunidades, incentivar e dar espaço para que os jovens possam agir e se manifestar.

JOÃO UMBERTO NASSIF- Existe uma crença de que fé e ciência, alguns dizem que não podem caminhar juntos e outros dizem que pode. Existe até um conceito que é divulgado, que os países que sofreram influência da Igreja Católica são menos desenvolvidos do que os países que sofreram influência da Igreja Protestante. Na realidade isso tem uma raiz histórica que conhecemos e sabemos que a origem é exatamente essa que o senhor falou, a família. A colonização foi feita através de famílias em outros países.

DOM MOACYR JOSÉ VITTI- Quanto a contradição que muitos afirmam entre fé e ciência, existe assim um documento muito bem feito pelo Papa, difícil de ser entendido, traduzido do latim quer dizer fé e razão, onde o Papa desenvolve esse tratado muito interessante que não existe contradição entre fé e ciência, ás vezes surgem muitas dificuldades, mas sobre a verdade nunca pode haver contradição, porque a fé é a revelação da verdade vinda do próprio Deus. A ciência quando é autêntica e séria ela não pode se contradizer a verdade. Por mais que o cientista se aprofunde e busque uma resposta ele sempre, se ele for autêntico e sincero consigo mesmo, ele vai encontrar a verdade que combina com a verdade revelada por Deus. É muito bonito esse documento que o Papa fez a respeito dessa concordância entre fé e ciência. Quanto a diversidade de igrejas que existem no mundo, que é uma pena, vai contra o plano de Jesus Cristo, que sempre sonhou com a unidade, com a fraternidade. A Igreja deveria ser sempre esse corpo místico de Cristo, ou seja que vive essa união entre todos os seus membros. Mas infelizmente através da história aconteceram tantos fatos, que acabou trazendo tantas e tantas divisões dentro do plano de Jesus Cristo. Porém não devemos nos impressionar, porque é muito bonito a liberdade que Deus respeita quanto a pessoa humana. Deus tem um amor muito grande pela liberdade da pessoa humana. Por isso também que dentro dessa liberdade existem tantas interpretações e daí é que surgiram a diversidade de tantas e tantas igrejas e como hoje está acontecendo também tantas e tantas seitas. O importante é que cada pessoa procure diante da sua consciência na autenticidade e na sinceridade, buscar a verdade porque se for assim numa busca sincera encontrará na revelação que Jesus Cristo nos fez, a resposta a todas as indagações que a gente faz na vida.